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Trilhas de Bike em São Carlos

Agora que a bicicleta caiu no gosto do Brasileiro (e que o mercado virou uma patifaria com preços abusivos e há escassez de peças e bikes nas lojas) a procura por novas trilhas e passeios tem crescido. De repente todo mundo virou atleta! O que é excelente, mas precisou ser privado de sair de casa para que o brasileiro descobrisse que é um aventureiro nato. E nós, que já pedalávamos, mas inegavelmente sempre admitimos que preferíamos escalar, começamos a nos redescobrir dentro deste esporte tão fascinante. Após alguns meses percorrendo as boas e velhas trilhas de sempre, sentimos necessidade de desbravar novos itinerários, novas regiões, novos “rolês” e novas cachoeiras.

Após muito buscar e pouco achar disponível online, resolvemos compartilhar com vocês algumas dessas experiências incríveis que pudemos vivenciar nos últimos meses. O termo “trilha” é usado genericamente para descrever os passeios, mas na sua esmagadora maioria trata-se do bom e velho “estradão”, ou seja, estrada de terra (ou “chão batido”), as vezes estradinhas vicinais, outras vezes “aceros” (espaços entre a vegetação para retardar ou impedir que uma queimada se alastre), e claro, unindo em uma expressão as duas coisas que mais aparecem na nossa região: Um canavial de subidas =D.

Pra você que (acha que) é nível iniciante e quer um passeio no parque antes de pedalar 50km, começamos sugerindo um dos nossos locais favoritos para passeios curtos e acessíveis (que talvez pra você pode ser uma aventura de um sábado inteiro, de qualquer maneira: divirta-se!).

Antes de lhe apresentar os roteiros sugeridos, recomendamos que você dê uma olhada nesse artigo que escrevemos com algumas orientações para que você, ciclista iniciante, consiga explorar todo o potencial da sua bike, do seu corpo, da nossa região e das trilhas que vamos sugerir. Você precisa ser um ciclista consciente se não a gente, que já pedala, corre o risco de ficar sem alguns dos locais e trilhas que frequentamos atualmente, e aí a gente vai parar de compartilhar pra não perder os locais que restarem abertos. A gente que é da escalada já vem com essas configurações como “padrão”, (ou também adquire quando adentra nas atividades Outdoor) mas de qualquer forma vale a pena tocar no assunto pra não dizer que não avisamos.

Caso ainda não tenha lido, clique aqui para abrir o artigo com dicas e orientações para os Ciclistas iniciantes.

Foi pensando em uma progressão não somente física mas também técnica que resolvemos sugerir trilhas bem básicas pra você começar.

Nível 1 – Pra começar no pedal

O famoso “Rolê no Cerrado”:

Próximo à cidade, são passeios mesmo, sem grandes desafios, mas que já vão te preparando para não ficar perdido em rolês vindouros mais longos. Com Baixa quilometragem (na casa dos 10KM, sem contar o deslocamento da sua casa até lá) são excelentes passeios pra você ir se testando e ir aumentando a sua autonomia (descobrindo quanto vc bebe de água por km, quanto aguenta, treinando seu senso de direção, etc…). Tudo isso em meio a uma mata exuberante com nascentes, muitas flores, riachos, lagos, mais flores, trilhas (agora trilha mesmo, onde só passa uma bike por vez) no meio da floresta, subidas não tão íngremes, descidas “de boa”, eu já falei flor pra caralho?! num ambiente fresco e agradável (no inverno siga o conselho da sua mãe e leve um casaquinho! A temperatura lá as vezes está até 10º mais baixo que na cidade) e que as vezes nos surpreende com a presença de animais silvestres típicos do cerrado como maritacas, macacos-prego, siriemas, sanhaços e até mesmo esporadicamente os nota-de-duzentos lobos-guará e cobras peçonhentas como a Cascavel e a Jararaca. Lembre-se: Você está entrando na casa deles, então se vir um desses, NÃO interaja NEM o mínimo possível, de a volta e retorne por onde veio! Não toque, não alimente, garanta que a vida deles continua igual ou melhor do que quando você entrou ali. Como ali pega celular (3G) quase em todos os locais, é um bom local para caso fique perdido se achar pelo google maps e aprender a interagir com o gps do celular.

Ah, e perceba que os títulos estão com as cores próximas aos seus trajetos no mapa. #fikdik

Basicamente criamos e demos nome para 3 trilhas com os trajetos que mais gostamos por lá, mas obviamente nada impede que você faça seu próprio percurso, ou emende dois percursos pra aumentar a quilometragem, o pedal é livre! Começando pela mais bonita na minha opinião:

A “TRILHA DO Y”

Percorre a volta de duas nascentes que dão origem ao córrego do espraiado, que abastece parte da água consumida da cidade de São Carlos. Essa trilha possui a mata nativa mais fechada, a temperatura mais amena e ainda termina (ou começa depende do sentido que você escolher fazer esta trilha) entre o lago da Ufscar e a floresta de Pinheiros (ou cedrinhos?) existente na frente do “RU” (Bandejão para os Uspianos). Recomendo fazer no sentido horário começando pelo lago!

Single Track nos Eucaliptos do Cerrado

A trilha dos “SINGLE TRACKS”

Single Tracks são caminhos estreitos onde só passa uma bike por vez, nesse caso entre os Eucaliptos. Entre os aceros do cerrado adentrando a floresta de Eucaliptos estão esses caminhos. É uma trilha muito bonita, divertida e em alguns pontos emocionante. Depois que sai dos eucaliptos definitivamente, essa trilha também passa pela trilha da Natureza no tabladinho, um local com vegetação bastante densa e fechada, com barulhinho de água correndo ao fundo, e finalmente pelo laguinho (que após as últimas construções de prédios ali na região por coincidência tem tido dificuldade de permanecer cheio).

Rolezão

Esse “rolezão” dá a volta praticamente no cerrado todo fazendo de tudo para não passar pelas trilhas anteriores (pra ser tudo inédito). O início e o fim desses 3 trajetos não estão muito bem definidos pois depende de onde você vem da cidade, ou onde quer (ou deixam) parar o carro para começar (mas a entrada e saída no cerrado estão delimitadas). Por isso deixamos elas “meio que circulares” pra vc escolher começar por onde quiser. Faz parte da aventura essas incertezas, você pode escolher!

Nível 2 – Botando as asinhas de fora

Quando você tiver “zerado” as trilhas do cerrado e estiver começando a sentir o chamado por rolês mais longuinhos, comprometidos talvez, você pode começar com estas 4 trilhas que farão parte do começo ou do final de algumas das trilhas mais longas que iremos sugerir nos próximos níveis.

Serra do Cristinho

Começando pelo Cristinho, uma trilha gostosa, agradável sem muitas subidas, muita sombra e um bar no meio do caminho “biker-friendly”. Saindo ali pela Av. Getúlio vargas sentido Siltomac (passa em frente a entrada do Tenda), a Serra do Cristinho propriamente dita são os últimos 200m desta trilha: uma estrada asfaltada que desce para um vale, e que possui na beira do asfalto um afloramento rochoso de arenito muito típico na nossa região. Nesse afloramento foi colocado um “Cristinho” de Gesso de aproximadamente 1,5m de altura que virou ponto turístico da região por se tratar de um mirante para as cuestas de arenito do lado oposto à Analândia. A trilha é de terra praticamente em sua totalidade com alguns trechos curtos de asfalto, e é basicamente o caminho para a fazenda invernada até quase o final, quando bifurca à esquerda. A volta é pelo mesmo caminho da ida, e no mapa adotou-se um ponto qualquer na cidade (a praça Itália) para fins meramente de cálculo de distância pra você ter uma idéia de quanto vai pedalar desde a sua casa. Apesar de a volta ser praticamente tudo descida, a ida não passa a sensação de subida interminável, é um “passeio agradável” já mais longuinho mas sem matar ninguém do coração com grandes subidas.

O visual incrível do Cristinho

Cachoeira da Babilônia

A primeira cachoeira dos roteiros, um marco pessoal, o meu primeiro pedal mais longo, sozinho com minha cachorra vira lata, com 13 anos e uma bicicleta de aço de 16 toneladas kg. Na volta é óbvio que a água acabou, a cachorra não aguentou de cansaço e eu tive que trazê-la nas costas.

Esse caminho é quase 50% asfaltado com uma descida muito legal de fazer logo que acaba o asfalto, mas que na volta é uma subida que faz muitos iniciantes virarem adeptos do “Ciclo-empurrismo”. Tudo bem, faz parte! (É vovózinha que chama a menor coroa da frente, né? rsrs hora de usar ela!) O bom é que há algumas árvores fazendo sombra ao longo da subida para dar aquela respirada antes de continuar. Quando a descida acaba, o caminho é muito bonito, plano, com mata fechada e cruza o rio várias vezes até que em poucos quilômetros chega na cachoeira (tipo uns 3 ou 4km). Depois da cachoeira da Babilônia, continuando reto pela estrada de terra não tem erro, chega na represa do 29 e esse é um dos passeios mais agradáveis da região pois é plano e na sombra. Leve pelo menos 2L de água pois na volta vc bebe bastante!

Cachoeira da Babilônia, ponto turístico “Lado B” de São Carlos

Represa do 29

Esse é um caminho praticamente todo de asfalto, uma grande descida em sua maioria na ida e obviamente uma grande subida na volta. É um clássico da região e se você nunca fez, faça pois ela é praticamente um batismo referência para as outras subidas (é usada para comparar a dificuldade das subidas das outras trilhas da região em relação a ela). Ao chegar no 29 você pode procurar alguma das prainhas da represa pra dar uma refrescada, as do lado esquerdo provavelmente tem mais sombra que do lado direito. De qualquer maneira normalmente os ciclistas mais passam por ali para seguirem em direção a outros destinos (Água vermelha ou Babilônia por exemplo) do que simplesmente chegar ali para voltar. (Seguindo reto uns 6km tem a cachoeira da Alegria, que será contemplada no próximo post, 10km pra direita tem a cachoeira da Babilônia). Considerando que você vai voltar por onde você desceu: Boa sorte e não esqueça de ligar o Strava pra comparar sua performance na subida com vc mesmo daqui alguns meses! Nota: Não parece, mas no meio da subida interminável tem um trecho reto que da pra dar uma respirada sem parar de pedalar, abaixada no batimento cardíaco antes do sprint final rumo ao topo (que é menos inclinado que o inicial), lembra disso quando tiver de língua de fora no meio da subida. Quando estiver voltando de outros pedais mais longos, essa subida vai ser o jeito mais fácil de subir de volta pra casa desde lá debaixo do vale, então, vai treinando!

Água Vermelha

Igrejinha Histórica de Água Vermelha

Apesar de particularmente apreciar apostar corrida com meu parça Guilherme na subida do 29 e da Babilônia, a ida até Água vermelha é um dos clássicos pra se fazer em grupo: Chegar na rua principal e escolher uma das duas padarias pra tomar uma bebida gaseificada de alto índice glicêmico e valor calórico com uma refeição frita cheia de farinha branca e condimentos ultraprocessados com restos de aves mortas (Uma coca e uma coxinha) kkkkk. Tem uma padaria na rua principal da “cidade” bem famosa quase em frente à igreja, e tem outra uns dois quarteirões atrás da igreja que serve água gelada pros ciclistas. A ida é uma maravilha, muita descida e pouca subida (mas tem também), o que torna a volta inversamente proporcional, um pouco mais exigente, porém, mais curta e menos íngreme se comparado com o 29 ou a Babilônia. Você pode optar por fazer o trajeto final de ida do mapa no sentido anti-horário e você conhecerá a famosa subida do “Madruga”, que nem é tão longa, nem tão inclinada, mas realmente cansa quem ta começando e oferece um pouco de emoção para os mais experientes que estão acompanhando os novatos. De qualquer maneira tem um pouco de areião na Santa Felicidade mas no fringir dos ovos é um rolê tranquilo, seria um “Cristinho” com algumas subidas a mais pra apimentar o passeio. No mapa é o único rolê que está apresentado ida e volta por possuir várias opções interessantes. Escolha a sua!

Nível 3 – Linkando a trilhas do nível 2

Se você já fez as trilhas do nível 2, ou se acha que elas estão curtas demais (ou já pedala e só ta querendo variar o cardápio), você pode emendar uma na outra, ou em todas elas!

Cristinho -> Babilônia

Você pode ir até o Cristinho, descer pra babilônia, seguir para o 29, tomar uma bebida gaseificada de alto índice glicêmico e valor energético (ou recarregar sua água) em Água Vermelha e voltar pra São Carlos pela vila Santa Felicidade. Ou o inverso. A única ressalva é que da babilônia para o Cristinho o trajeto demarcado é uma subida bem técnica, sugerimos faze-la no sentido Cristinho->Babilônia. Nesse caso é uma descida Single Track bacana com alguns trechos bem estreitos e uma ossada de vaca bem no meio da descida, a famigerada “subida (ou descida, dependendo do sentido adotado) dos porcos”.

Babilônia -> Represa do 29 (e vice-versa)

Pilastras Históricas da antiga estrada de ferro que passava entre a Babilônia e o 29

Um dos, se não “O” roteiro mais clássico da região. o arroz com feijão, ou como diríamos na escalada: “A via normal do pico”. Pegar a descida da Babilônia, dar um tibum na cachoeira, depois seguir pela trilha agradável, plana e cheia de sombra e subir o 29, bem como o inverso (descer o 29, ir até a cachoeira e voltar pela subida da babilônia) é um dos roteiros mais clássicos da região.

Represa do 29-> Água Vermelha

Trajeto plano e com sombra na maior parte do caminho

Você nem precisa necessariamente chegar em água vermelha: chegando no madruga vc já vira a esquerda em direção à Vila Santa Felicidade e termina com uma subidinha marota chegando no fundo do Bairro Samambaia pra entrar em São Carlos pelo Jockey Clube, ou cruzando pelo cerrado (vide mapa) até a estrada do 29 pra entrar em São Carlos pelo cemitério.

Bem, espero que você aproveite as nossas dicas de roteiros aqui em São Carlos, vá com calma, por sua conta e risco, não nos responsabilizamos por ciclistas perdidos por má leitura dos mapas ou loucura do google maps (recalculando….). Se você está inseguro, vá com um amigo mais experiente, ou se vc prefere uma aventura solo, vá, mas tenha preparada uma carta na manga caso dê tudo errado e vc precise de resgate! (tipo aquela dica no outro post sobre avisar aonde está indo e a previsão de retorno). Comece pelos rolês mais curtos pra ir sentindo como seu corpo se adapta às longas distâncias. O cerrado é bom que sempre dá pra dar uma ou duas voltinhas a mais pra fazer uma distância maior que o último pedal antes de voltar pra casa. O primeiro 15k, o primeiro 20k, 25, 30k são memoráveis, tire foto e celebre as pequenas conquistas! E marque a @queroescalar nos seus posts no Insta 😉

Qualquer dúvida, escreve pra gente, prometemos demorar menos de 1 ano pra responder! ;P

E em breve, outro artigo com trilhas mais clássicas ainda da região, e as cachoeiras… fique ligado, e vai fazendo essas que sugerimos por enquanto!

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3 pensamentos sobre “Trilhas de Bike em São Carlos

  1. carlos reis disse:

    Olá! Existe algum grupo que faz essas trilhas e que eu poderia participar? Grato.

  2. Parabéns pelo trabalho!

  3. Também gostaria de saber se há algum grupo que faz essas trilhas e que eu possa participar. Muito obrigada 🙂

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